Vacina contra o HPV está entre os principais avanços da medicina nos últimos 20 anos, afirma universidade norte-americana

A Universidade da Indiana, nos Estados Unidos, apontou a vacina contra o (HPV) como um dos avanços mais importantes da medicina nas últimas duas décadas.

Estima-se que o imunobiológico é capaz de prevenir até 70% dos casos de câncer de colo de útero, doença que mata anualmente 270 mil mulheres, das quais aproximadamente 5 mil são brasileiras. As informações são, respectivamente, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, concorda com a escolha da instituição de ensino e acrescenta que, embora não seja de conhecimento geral da população, o vírus também está relacionado a tumores malignos nas regiões do pênis, anus, vagina, vulva, orofaringe e boca. “Fica claro que estamos falando de uma questão de saúde pública”, ressalta.

A vacina quadrivalente contra o HPV foi licenciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2007 e passou a ser oferecida gratuitamente em 2014. É recomendada para meninas e mulheres entre 9 e 45 anos, exceto gestantes, e meninos e jovens entre 9 e 26 anos. No SUS, o principal público alvo são as meninas e as adolescentes entre 9 e 13 anos, além das mulheres com HIV na faixa de 9 a 26 anos.

Isabella explica que o esquema vacinal padrão é de três doses, com intervalo de 2 meses entre a primeira e a segunda, e de 4 meses entre a segunda e a terceira (0-2-6 meses). Quando adotado o esquema estendido (0-6-60 meses), válido para menores de 13 anos e usado pelo Ministério da Saúde, o intervalo de seis meses entre a primeira e a segunda dose deve ser respeitado, caso contrário não haverá proteção.

“Se ocorrerem atrasos na aplicação das doses, não é necessário reiniciar o esquema. Basta dar continuidade, respeitando os intervalos mínimos recomendados entre as doses”, destaca a presidente da SBIm.

Medo infundado

A primeira campanha de vacinação contra o HPV, em 2014, foi um sucesso: praticamente 100% da meta foi alcançada. Em 2015, contudo, a procura caiu pela metade. Entre as razões apontadas pela presidente da SBIm, Isabella Ballalai, estão o fim da aplicação nas escolas e, principalmente, o receio de alguns pais de que o imunobiológico pudesse antecipar a vida sexual das filhas ou casar reações adversas graves. O grande motivador nesse sentido foi o caso de duas adolescentes que tiveram paralisia temporal nas pernas após receberem a vacina.

“Os exames não demonstraram nenhuma alteração clínica ou laboratorial e as investigações posteriores apontaram como desencadeador do evento uma reação de ansiedade pós-vacinação, fato que não é incomum em adolescentes. A causa, portanto, não foi a vacina, mas o ato de vacinar” , esclarece.

Antes de serem licenciadas, as vacinas passam por rigorosos estudos que envolvem milhares de pessoas, de diferentes partes do mundo. Além disso, quando chegam ao mercado, a vigilância de eventos adversos é obrigatória, ou seja, todas as notificações de possíveis reações severas são analisadas. Até hoje, o nexo causal entre os relatos foram descartados. “Os efeitos adversos, pouco frequentes (10% a 20%), são leves e incluem dor e vermelhidão no local da injeção”, lista Isabella. A possibilidade de motivar as adolescentes a antecipar a vida sexual ou adotar comportamento de risco, assim como de causar infertilidade também são cientificamente rechaçadas.